Cinza escuro,
imensidão que parece deserto, gotas longas e frias que gelam a pele, o vento
parece carregar o peso do seu corpo, você quer fechar os olhos e deixar-se
entregar, você quer deixar o vento levar para qualquer lugar, você quer
inteiramente se entregar.
Os livros já
não prendem a sua concentração, tampouco os filmes, a tv permanece no mudo, as
apostilas estão derramadas sob a cama e você continua a olha-las com
preocupação, mas seu corpo está inquieto, está clamando por descanso e não
consegue se entregar ao sono. Você não consegue se concentrar em nada, quer
gritar, quer pular, quer dançar, quer rir e também chorar, sensação contínua
que se estende no peito.
Já cheguei a
pensar que poderia ser descargo de consciência, sequer notei que ouvia dezenas
de vezes a mesma música e também sinto a mera sensação de que não aguento, são
tantas preocupações, tantos objetivos e tantos anseios. Tudo que me cerca me
prende, tudo que me prende me sufoca, não consigo me mover e mesmo que pudesse
não escolheria o caminho conveniente, escolheria o mais difícil apenas por
desafio.
Acredito que o
tempo é a melhor resposta para os meus receios, acredito também que ele se encarregará
de levar todo vento frio e me trazer a brisa quente, simplesmente sinto como se
fizesse tudo e no fim das contas não pudesse enxergar o real sentido de toda
entrega.
Entrega, hoje
eu me entrego, mas sei também que amanhã poderá haver uma nova história.

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