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2 de fevereiro de 2016

Entrega


Cinza escuro, imensidão que parece deserto, gotas longas e frias que gelam a pele, o vento parece carregar o peso do seu corpo, você quer fechar os olhos e deixar-se entregar, você quer deixar o vento levar para qualquer lugar, você quer inteiramente se entregar.
Os livros já não prendem a sua concentração, tampouco os filmes, a tv permanece no mudo, as apostilas estão derramadas sob a cama e você continua a olha-las com preocupação, mas seu corpo está inquieto, está clamando por descanso e não consegue se entregar ao sono. Você não consegue se concentrar em nada, quer gritar, quer pular, quer dançar, quer rir e também chorar, sensação contínua que se estende no peito.
Já cheguei a pensar que poderia ser descargo de consciência, sequer notei que ouvia dezenas de vezes a mesma música e também sinto a mera sensação de que não aguento, são tantas preocupações, tantos objetivos e tantos anseios. Tudo que me cerca me prende, tudo que me prende me sufoca, não consigo me mover e mesmo que pudesse não escolheria o caminho conveniente, escolheria o mais difícil apenas por desafio.
Acredito que o tempo é a melhor resposta para os meus receios, acredito também que ele se encarregará de levar todo vento frio e me trazer a brisa quente, simplesmente sinto como se fizesse tudo e no fim das contas não pudesse enxergar o real sentido de toda entrega.

Entrega, hoje eu me entrego, mas sei também que amanhã poderá haver uma nova história.

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