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21 de janeiro de 2016

"Rotina mãetina"




Acordei torta pela manhã, torta de humor, torta de desajeitada, vagamente torta por encontrar as paredes e descobrir que andei dormindo, não sei o que eu estava fazendo e juro que aquele impacto me causou uma forte dor de cabeça, minha mãe veio toda sorridente e mega falante me dar bom dia, só lembro do olhar de massacre que lancei para ela e não falar absolutamente nada, “será que ela se esqueceu que quando acordo preciso de cinco minutos?”, comecei a ouvir então sons ensurdecedores, quando percebi que ela havia cruzado no jardim com seu gato “não me refiro ao meu pai, claro, e sim seu animal de estimação”.
Resolvi não reclamar, pois até já deveria estar acostumada, fui então ao meu banho e não sei se demorei mais de quinze minutos, quando sai pela porta em direção ao meu quarto de novo estava lá ela atrás de mim me questionando se viria para casa almoçar e o que eu achava que deveria fazer de almoço, de forma que os meus cinco minutos matinais haviam passado resolvi não ser tão chata e responder que comeria qualquer coisa, lá estava ela sentada na minha cama me metralhando com notícias que minutos antes havia lido no facebook, fiquei surpresa e sabia que assim já teria assunto para começar o dia no trabalho.
   Segundo após secar meu cabelo percebo que ela vem com uma maçã descascada pois não tolera o fato que eu vá trabalhar sem comer nada, mesmo sabendo que não consigo me alimentar direito pela manhã, intercalo a maçã enquanto vou me arrumando e escolho então uma camisa de botões para vestir, escuto os passos dela pela cozinha e resolvo pedir: “mãe, passa minha camisa?” e de forma espontânea e natural ela grita como se eu estivesse na outra ponta da vizinhança “não posso, lembrei que tenho que aguar os tomates”. Como se passar minha blusa impedisse que depois ela regasse seus tomates, vesti outra e como se já não fosse o suficiente não recordava onde havia deixado a chave do carro, senti um alívio quando a encontrei de baixo do micro-ondas.

    Ao descer as escadas encontro meu pai sentado na cadeira então aviso “estou indo trabalhar” ele não me diz nem bom dia e nem tchau quando ouço euforicamente “tchau filha, vai com Deus”, era a minha mãe em meio suas plantinhas.

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