Acordei torta pela manhã, torta de humor, torta de desajeitada, vagamente
torta por encontrar as paredes e descobrir que andei dormindo, não sei o que eu
estava fazendo e juro que aquele impacto me causou uma forte dor de cabeça, minha
mãe veio toda sorridente e mega falante me dar bom dia, só lembro do olhar de
massacre que lancei para ela e não falar absolutamente nada, “será que ela se esqueceu
que quando acordo preciso de cinco minutos?”, comecei a ouvir então sons
ensurdecedores, quando percebi que ela havia cruzado no jardim com seu gato “não
me refiro ao meu pai, claro, e sim seu animal de estimação”.
Resolvi não reclamar, pois até já deveria estar acostumada, fui então ao
meu banho e não sei se demorei mais de quinze minutos, quando sai pela porta em
direção ao meu quarto de novo estava lá ela atrás de mim me questionando se
viria para casa almoçar e o que eu achava que deveria fazer de almoço, de forma
que os meus cinco minutos matinais haviam passado resolvi não ser tão chata e
responder que comeria qualquer coisa, lá estava ela sentada na minha cama me
metralhando com notícias que minutos antes havia lido no facebook, fiquei
surpresa e sabia que assim já teria assunto para começar o dia no trabalho.
Segundo após secar meu cabelo percebo
que ela vem com uma maçã descascada pois não tolera o fato que eu vá trabalhar
sem comer nada, mesmo sabendo que não consigo me alimentar direito pela manhã,
intercalo a maçã enquanto vou me arrumando e escolho então uma camisa de botões
para vestir, escuto os passos dela pela cozinha e resolvo pedir: “mãe, passa
minha camisa?” e de forma espontânea e natural ela grita como se eu estivesse
na outra ponta da vizinhança “não posso, lembrei que tenho que aguar os tomates”.
Como se passar minha blusa impedisse que depois ela regasse seus tomates, vesti
outra e como se já não fosse o suficiente não recordava onde havia deixado a
chave do carro, senti um alívio quando a encontrei de baixo do micro-ondas.
Ao descer as escadas encontro
meu pai sentado na cadeira então aviso “estou indo trabalhar” ele não me diz
nem bom dia e nem tchau quando ouço euforicamente “tchau filha, vai com Deus”,
era a minha mãe em meio suas plantinhas.
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