Não lembro de nada, não vi nada, não ouvi sequer algum ruído, não corri, fiquei ali parada onde eu conseguia avaliar o território adentro, só sei que eu estava em túnel muito longo, minha respiração estava acelerada e a exaustão tomava conta do meu corpo, por mais que eu continuasse caminhando aquele túnel teria fim.
Era escuro e eu continuava a gritar, não havia ninguém, ninguém poderia me salvar e mesmo que eu permanecesse ali parada soluçando, eu ficaria ali para sempre por um único motivo: “eu estava completamente sozinha”.
Quando em um soluço de desespero eu sinto meu corpo quente se mover, sinto minha pulsação acelerada entrando em conflito com o meu subconsciente, percebo que era um sonho, apenas um terrível pesadelo, eu estava dormindo e nem os meus próprios sonhos sou eu quem controlo, eles estavam me manipulando e causando muita dor.
No amanhecer caminhei durante muito tempo procurando por uma resposta adequada para a noite seguinte, eis que ela não apareceu e o grito ecoava na minha mente durante todos os minutos daquele dia, sabe quando a gente sonha e quando acorda tem certeza que sonhou, mas não lembra o que? Na maioria das vezes foi assim, gostaria que dessa tivesse sido o mesmo. O sonho me perseguiu, sentia um aperto no peito como se algo tivesse prestes a acontecer e eu pouco podia fazer a respeito.
Tive medo de me deitar a noite e o pesadelo voltar, deixei o abajur, a TV e o celular ligado na esperança de que um deles fosse me salvar ou ao menos me deixar mais tranquila. A noite foi melhor do que eu imaginava e fui tola o suficiente por não criar uma história.
A vida é assim, um túnel? Sim, a gente caminha por muito tempo buscando um simples objetivo então descobre que em prática não era nada do que se esperava, a gente se desespera, chora e briga por não alcançarmos um padrão que estimamos. Você pode caminhar o quanto quiser e nunca estará satisfeito, suas escolhas não dependem de quantos quilômetros você percorrer e sim qual bagagem levará consigo para quando parar e precisar descansar, de preferencia procure levar um livro.
Por que eu escrevo? Porque quando sinto algo extraordinário eu crio uma história.

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