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4 de outubro de 2015

Avalanche



Pela primeira vez depois de muito tempo resolvo escrever, não só ler e escrever para mim, para meus olhos lerem uma nova história, aquela sem começo, meio ou fim, aquela história que faça meu estômago doer de nervosismo, aquela que faça com que eu sinta algo que nunca senti. A questão é que as histórias vivem se repetindo, como em um replay tudo que você espera ou é se repete sempre na mesma intensidade, como a água que escorre decorrente de chuva, como o sol que queima decorrente de um dia lindo.
Qual foi a última coisa que você fez pela primeira vez? Você não se lembra, não é? Porque a gente não faz mais coisas pela primeira vez, simplesmente se acomoda no que está em questão, deixa o difícil para depois, depois e mais depois. A gente deixa de ser a gente a partir do momento em que lutar por algo faça parte do jogo, por quantas coisas você lutou? Tão poucas, não é? Me sinto exatamente assim, exausta por não lutar por nada!
Ouço o tic-tac do relógio, ouço o despertador, ouço aquela frase: Está na hora de ir almoçar, ouço repetidamente os dias passarem, fico brava, fico muito feliz, fico me perguntando se estou fazendo a coisa certa, se estou no caminho certo e a única resposta que tenho é que não há respostas. Vozes, vozes e mais vozes cercam um infinito, fazem julgamentos e criam uma nova história, uma nova história para o mundo?
Preconceito, drogas, roubo, guerras é isso que você ouve todos os dias, você liga a tv e as vozes que você ouve são as mesmas que lhe dizem que algo ruim aconteceu porque o mundo infelizmente não tem mais notícias boas, não tem mais pessoas que lutem por algo bom porque simplesmente estão acomodadas nos seus refúgios com medo de serem descobertas. Enquanto você ouve os ponteiros do relógio marcarem os minutos e horas, coisas por ai acontecem e a única mudança que podemos cobrar é aquela que saia de dentro da gente, aquela pelo qual lutamos.

As ondas levam restos da maré para a praia, o sol descansa para as estrelas poderem brilhar, o vento sopra para espalhar todo o soar, e você? O que você leva? 

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