Boa noite querido blog, hoje a
noite está tão linda, estrelada, não está tão quente e nem muito frio, tempo
perfeito para estar em casa e escrever, meu cachorro lindo está deitado na cama
do meu lado dormindo o que não é nada novidade, estou muito feliz, ontem pude
por fim concluir a incrível tarefa de visitar um orfanato e passar o dia com os
órfãos. Admito que foi muito cansativo e ao chegar em casa ainda ouvia aquele
zumzum das crianças, foi maravilhoso e prometi voltar o que por sinal vou
cumprir, não sei o quão sério é a missão de cada cidadão aqui na terra, mas,
sei que se o mundo continuar do jeito que está não haverão mais missões, não
haverão mais esperanças e pude compreender o olhinho triste de cada uma que lá
estava, pude encontrar e descobrir os sonhos mais aventurados de crianças sem
chão, elas tinham uma esperança e de todas que eu perguntei qual era seu sonho,
todas me responderam que encontrar uma família era o maior sonho e mais
impossível para quem vive em um abrigo a 7 ou 5 anos, ter a juventude presa
entre paredes e entre sonhos é a pior coisa que um ser humano pode viver. A
tristeza do passado e o medo do que deverá enfrentar, a falta dos que foram e
que nunca irão voltar, a saudade daqueles que estão presos entre grades e que
nunca voltarão para busca-los, eles não os amavam, a angustia de pessoas que
fizeram deles um simples abandono, ou até mesmo aqueles que transmitiram uma
doença incurável na criança que lá tenta viver, e além de terem estragado toda
a sua vida os abandonaram, você não sabe o quanto dói saber que a realidade
está tão perto da gente, você não sabe o quanto dói ver um menino de 2 anos,
lindo, lutando e se adaptando a conviver com a aids, é duro sim, e a gente aqui
de nossas casas, não pode e faz nada.
E quer saber? Eu não me arrependo
de ter cruzado horizontes para ter ido para lá, você não sabe como a Emily é
linda, você não sabe o quanto a dor da Bianca arranca seu coração, e o que mais
doeu, você não sabe o quanto a Mariana tem dificuldades para viver e batalha
todos os dias, convenhamos, é difícil conviver ou tentar tratar uma doença
rara, e se você fosse um hermafrodita sem a noticia de um pai e a saudade da
mãe que está morta, e se seu irmão tivesse lhe abandonado em 3 orfanatos, e mal
dá noticias para quem inocente o vê como herói ? É triste ver uma criança de 16
anos com o seu psicológico masculino e como opção o feminismo, dói, vê-la
contar, dói ouvir de sua boca odiar o final de semana, porque final de semana
lembra família, uma coisa que eles não podem sentir. E aquela frase realmente triste cruza meu psicológico
e faz querer resgatar tudo aquilo que vi, quando o João chorando disse para a
minha dinda “Tia, por favor me leva junto contigo”, ou quando as crianças não
largavam você na hora do Adeus, ou quando elas queriam aparecer em fotos mas
que por lei não poderiam. Lá você não vê o tempo passar, quando vi já era hora
de voltar, lá você tem que segurar o coração com a parte mais forte do seu
cérebro e a coisa que você menos quer é transparecer tristeza, dói, não é nada
relacionado a você, mas dói tanto.
Ao ver minha mãe em prantos na
hora de voltar pude perceber o quanto tenho tudo, o quanto devo todos os dias agradecer,
o quanto não devo ter vergonha dos erros que a minha família cometer, porque
meu amor, a sua família é a única coisa verdadeira que você pode ter, eles te
amam do jeito que você é, independente do problema que você passe eles estarão
ao seu lado, aquelas crianças? São a prova viva de que as coisas realmente não
são justas e infelizmente não temos o poder de mudar o que nos incomoda, eles
esperam ansiosos pelo verdadeiro, o que às vezes não conhecem e ao completar 18
anos e ter que se virar sozinhos, não importa o quão fraco estejam as suas
esperanças continuam acessas.
“ Faça o bem não esperando
retorno, fazer o bem fará bem a você”
#ABRIGOMENINOJESUSDEPRAGA;

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